João Lúcio


João Lúcio, poeta místico

Nascido a 4 de julho de 1880, na então Vila de Olhão,João lúcio Pousão Pereira, ficaria conhecido na história da poesia portuguesa sob o nome literário de João Lúcio. Foi em Coimbra, enquanto frequentou a faculdade de Direito que a sua capacidade artística viria a revelar-se, sendo o ínicio de um percurso sempre apreciado pela crítica enquanto poeta. Viria a publicar diversas poesias e versos em folhetos e livros, nomeadamente o “Descendo “ O meu Algarve” e “Na Asa do sonho”. Da sua poesia sobressaem as referencias ao simbolismo e à natureza, sempre envolvidas numa mística própria.

Formando em Direito, em 1902, João Lúcio regressa a Olhão, vindo a desempenhar um papel brilhante na actividade forense, sendo ainda hoje considerado um dos melhores advogados algarvios de sempre. A sua capacidade clara e eloquente enquanto orador, concedeu-lhe o respeito a admiração dos seus adversários. Apesar de seguidor de ideias monárquicos, seria eleito por unanimidade por monárquicos e republicanos à Presidência da Câmara Municipal de Olhão, onde desenvolveu um trabalho de mérito relativamente à educação, saúde e cultura locais.

João Lúcio idealizou e mandou construir, um chalé escondido no pinhal da sua Quinta de Marim, num local rico de lendas seculares envolvendo encantamentos e mouras. O isolamento espiritual numa Torre de Marfim seria a finalidade do poeta. Contudo, vítima de epidemia da gripe pneumónica que assolou a região, faleceu em 1918.